Voltar a Habilidades Psíquicas

Definição

A suposta capacidade de transmitir ou receber pensamentos, sentimentos ou imagens mentais diretamente entre duas mentes, sem usar os canais sensoriais conhecidos nem qualquer forma de comunicação física.

Explicação detalhada

As experiências telepáticas relatadas vão do cotidiano — pensar em alguém segundos antes de o telefone tocar, sentir a angústia de um familiar à distância — até casos mais específicos, como receber imagens, frases ou números de outra pessoa sem nenhum canal sensorial envolvido. A avaliação científica do fenômeno é disputada, mas a literatura é bem delimitada. O principal teste laboratorial é o experimento Ganzfeld, em que um 'receptor' fica em privação sensorial leve enquanto um 'emissor' tenta transmitir uma imagem selecionada aleatoriamente; o receptor então escolhe o alvo entre quatro opções (chance = 25%). A meta-análise de Bem e Honorton de 1994 (*Psychological Bulletin*) sobre estudos autoganzfeld registrou taxas de acerto em torno de 32% ao longo de milhares de tentativas. Uma meta-análise posterior de Storm, Tressoldi e Di Risio (*Psychological Bulletin*, 2010) chegou a resultados semelhantes. A posição contrária — Milton & Wiseman (*Psychological Bulletin*, 1999) e Hyman, de forma contínua no *Skeptical Inquirer* — atribui o efeito residual a artefatos metodológicos e viés de publicação, não à telepatia. O trabalho separado de Rupert Sheldrake sobre a 'sensação de ser observado' e telepatia telefônica foi publicado, mas segue contestado pela psicologia convencional.

História e origens

A palavra inglesa *telepathy* (do grego *tēle* + *pathos*, 'sentimento à distância') foi cunhada por Frederic W. H. Myers, um dos fundadores da Society for Psychical Research, em 1882. O *Phantasms of the Living* (Gurney, Myers, Podmore, 1886), publicado pela SPR, compilou centenas de relatos espontâneos e continua sendo a coleção fundadora de casos. O estudo experimental controlado começou com o Laboratório de Parapsicologia da Universidade Duke, de J. B. Rhine, nos anos 1930, usando os cartões Zener criados pelo psicólogo perceptual Karl Zener; o *Extra-Sensory Perception* (1934) de Rhine é o texto de referência da área. O procedimento Ganzfeld foi desenvolvido por Charles Honorton na década de 1970 e refinado no protocolo autoganzfeld (*Journal of Parapsychology*, 1985). A revisão externa do Projeto Stargate da CIA em 1995, conduzida pela estatística Jessica Utts (UC Davis), considerou os resultados laboratoriais estatisticamente significativos; a revisão paralela de Ray Hyman aceitou a anomalia estatística, mas contestou a interpretação psi. O debate acadêmico contemporâneo se divide entre *Entangled Minds* (2006), de Dean Radin, no campo favorável, e *In Search of the Light* (1996), de Susan Blackmore, no campo cético.

Dicas práticas

Se você quer testar a hipótese de forma honesta, use um protocolo estruturado. O mais simples é o teste estilo cartões Zener: um parceiro retira cartas aleatoriamente de um baralho de 25 (5 de cada um dos 5 símbolos distintos) e se concentra em cada uma; você registra seus palpites. Com tamanho de amostra pré-registrado e cegamento adequado — sem nenhum feedback durante a rodada —, a chance é de 20% por carta. O IONS em noetic.org disponibiliza um teste psi online que você pode usar. Para entender o debate com profundidade, vale ler os dois lados: *Entangled Minds* (2006), de Dean Radin, e *In Search of the Light* (1996), de Susan Blackmore. Os tamanhos de efeito documentados, se reais, são pequenos — centenas de tentativas são necessárias antes de distinguir sinal do acaso. Um único anedotário dramático não prova nada em nenhuma direção.