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Definição

Tipo de atividade paranormal marcada por perturbações físicas — objetos se movendo sozinhos, barulhos altos, interferências elétricas e às vezes sensações físicas — que costuma girar em torno de uma pessoa específica, não de um lugar.

Explicação detalhada

A palavra 'poltergeist' vem do alemão: *poltern* (fazer barulho, bater) e *Geist* (fantasma ou espírito). Diferente das assombrações tradicionais, que ficam presas a um local, a atividade poltergeist tende a seguir uma pessoa — especialmente adolescentes ou quem está passando por estresse emocional intenso. Isso levou alguns pesquisadores a propor que o fenômeno pode ser causado por energia psicocinética inconsciente, chamada de psicocinesia espontânea recorrente (RSPK, na sigla em inglês), e não por espíritos externos. As manifestações mais comuns incluem: objetos voando de prateleiras, portas abrindo e batendo, aparelhos elétricos ligando e desligando sozinhos, batidas e estalos sem origem aparente, água ou outras substâncias surgindo do nada e, em casos raros, pequenos incêndios ou marcas físicas no corpo de pessoas. Os casos de poltergeist costumam seguir um ciclo: a atividade começa devagar, escala ao longo de semanas ou meses, atinge um pico e depois some — muitas vezes quando a situação emocional da pessoa melhora ou quando ela sai da adolescência. Esse padrão reforça a hipótese do RSPK.

História e origens

Os casos documentados de poltergeist no Ocidente remontam ao início da era moderna. O Tambor de Tedworth (Wiltshire, 1661–62) foi registrado por Joseph Glanvill em *Saducismus Triumphatus* (1681); o caso da Bell Witch (Adams, Tennessee, 1817–21) é o mais citado do século XIX americano, embora bastante mitificado nas versões posteriores. O Poltergeist de Rosenheim (Baviera, 1967) foi investigado pelo físico Friedbert Karger e pelo Instituto Max Planck, sendo um dos poucos casos com documentação instrumental extensa. O Poltergeist de Enfield (Londres, 1977–79) foi registrado por Maurice Grosse e Guy Lyon Playfair para a Society for Psychical Research; o relatório de Anita Gregory para a mesma instituição (1980) chegou a conclusões bem mais céticas do que o livro de Playfair, *This House Is Haunted* (1980), e o caso segue controverso. William G. Roll, na Psychical Research Foundation nos anos 1960–70, desenvolveu a hipótese RSPK, sistematizada em *The Poltergeist* (1972). Do lado cético, Joe Nickell em *The Mystery Chronicles* (2004) e Vic Tandy com Tony Lawrence em *Ghosts in the Machine* (1998) atribuem a maioria dos casos a uma combinação de trotes, percepção equivocada, problemas estruturais e efeitos de infrassom. O DSM-5 (2013) reconhece o Transtorno Dissociativo de Identidade e fenômenos de conversão ligados ao estresse que podem explicar parte dos comportamentos relatados pela pessoa central no caso.

Dicas práticas

Vale ler os dois lados antes de tirar conclusões sobre qualquer caso específico. Do lado dos pesquisadores favoráveis ao fenômeno, os principais são *The Poltergeist* de William Roll (1972) e *ESP, Hauntings and Poltergeists* de Loyd Auerbach (1986); do lado cético, *The Mystery Chronicles* de Joe Nickell (2004) e *Investigating Ghosts* de Benjamin Radford (2017). Se estiver acontecendo algo na sua casa, registre cada evento com horário, nomes de testemunhas e foto quando possível — os padrões só ficam visíveis com documentação consistente. A correlação bem documentada entre pessoas em estresse agudo (especialmente adolescentes) e a atividade relatada faz do suporte em saúde mental um passo sensato, independente de qual explicação você prefira. Investigações que envolvam adolescentes ou adultos vulneráveis não devem acontecer sem consentimento informado e um profissional de saúde mental envolvido.