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Definição

A aparição é a manifestação visual de uma pessoa, animal ou objeto sem existência física — interpretada como a presença de um espírito, uma impressão psíquica ou uma projeção da consciência através do espaço ou do tempo.

Explicação detalhada

As aparições variam bastante: algumas são formas translúcidas e nebulosas, outras parecem tão sólidas quanto uma pessoa de carne e osso — até desaparecerem. Podem durar segundos ou minutos, ser vistas por uma única pessoa ou por várias ao mesmo tempo, e em alguns casos chegam a interagir com o ambiente físico: abrem portas, deixam pegadas, deslocam objetos. Existem categorias bem definidas: aparições de crise (quando alguém aparece para um ente querido no exato momento da morte), aparições pós-morte (que ocorrem depois do falecimento, às vezes de forma repetida), aparições coletivas (presenciadas por múltiplas testemunhas) e aparições de vivos (quando alguém ainda em vida aparece num lugar onde fisicamente não está). Os casos mais difíceis de explicar são aqueles em que várias testemunhas independentes descrevem a mesma figura sem ter conversado entre si antes, ou quando a aparição fornece informações que a testemunha desconhecia e que depois são confirmadas. Esses detalhes resistem a explicações puramente psicológicas.

História e origens

Os relatos de aparições têm uma longa trilha literária: Plínio, o Jovem, descreveu uma casa assombrada em Atenas nas *Cartas* 7.27 (por volta de 100 d.C.), e narrativas de fantasmas aparecem em textos medievais cristãos, islâmicos e budistas. O primeiro estudo empírico sistemático foi o *Phantasms of the Living* (Gurney, Myers e Podmore, 1886), publicado pela Society for Psychical Research — uma coleção em dois volumes com mais de 700 relatos em primeira pessoa. O *Census of Hallucinations* (Sidgwick et al., 1894), baseado numa pesquisa com 17.000 pessoas, constatou que cerca de 10% delas relataram ao menos uma aparição em estado de vigília, com índices mais altos entre mulheres e em casos de aparições de crise coincidindo com a morte de um familiar. Pesquisas mais recentes (Bering, 2011; Cardeña et al., 2015) apontam prevalência semelhante, entre 8% e 14%, dependendo do instrumento de pesquisa utilizado.

Dicas práticas

Se você presenciar uma aparição, não saia do lugar — observe os detalhes antes que eles se percam: roupa, traços do rosto, postura, expressão emocional, se a figura faz contato visual ou reconhece sua presença, e o horário exato. Anote tudo em minutos; a memória deteriora rápido e detalhes que pareciam certeiros mudam bastante nas versões posteriores. Se havia outras pessoas no local, cada uma deve escrever o próprio relato antes de comparar — foi exatamente assim que a SPR distinguia aparições coletivas de casos de sugestão. A maioria das aparições relatadas não age de forma agressiva, mas se você ficou perturbado, vale descartar causas físicas antes de qualquer outra conclusão: privação de sono, febre e certos medicamentos com efeitos alucinogênicos são pontos de partida razoáveis.